Mostrando postagens com marcador Ficção Sobrenatural. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ficção Sobrenatural. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Semana da Rainha - Híbrida

Oi pessoal. Essa é a Semana da Rainha. Hoje vou falar um pouco do primeiro livro da série Neblina e Escuridão, Híbrida. Vamos lá.





Por toda vida Ellene teve a sensação de ser diferente de seus irmãos e dos moradores de sua vila, pois não adquiriu características de lobisomem como era esperado, e afastava-se cada vez mais desta natureza. Com um espírito rebelde, resolve desvendar o passado em busca de sua verdadeira origem.
O que não planejava era entrar no meio de uma rixa entre vampiros, a raça que aprendeu a temer e odiar desde menina. Para piorar, seus pesadelos voltaram: sonhos com um homem misterioso de olhos ameaçadores, envolvido por uma densa neblina. Há quase cem anos a rainha dos vampiros fora sequestrada e seu marido, Milosh, desde então busca incessantemente encontrá-la.
O tempo é escasso e as autoridades do Conselho desejam eleger um rei omisso e cruel em seu lugar. Na tentativa de tardar a mudança, ele se une à maior inimiga da rainha. Qualquer erro pode condená-lo à morte e subjugar seus iguais. Ellene e Milosh mal sabem que o que buscam os colocará frente a frente, em uma trama de intrigas, poder, amor e ódio.

terça-feira, 24 de abril de 2012

"O Evangelho de Marte" (José Angelo Potiens)

Pessoal, aqui está a resenha de um livro muito especial. Ele deve ser lido, relido, analisado, e o leitor deve refletir e meditar sobre seu conteúdo, principalmente nas passagens contidas no Evangelho de Marte, objeto central desta trama. Que a Luz (ou a Força, para os fãs de Guerra nas Estrelas) esteja contigo!



Raras vezes me deparei com um autor brasileiro que tenha mesclado tão bem ingredientes como fantasia, fatos históricos, religiosidade, maquinações secretas internacionais e boas pitadas de romance e erotismo. Tudo sem resvalar nos tradicionais clichês e nos exageros dramáticos. A leitura é leve, muitas vezes engraçada e caminha por trilhas eletrizantes, cativando e prendendo o leitor até a última página.

Além disso, o autor ainda consegue tecer uma crítica bem-humorada ao acirrado mercado editorial, às instituições religiosas e políticas e até mesmo ao materialismo científico, o qual se sustenta sobre seus próprios dogmas, embora critique esta mesma postura nas religiões cristãs.

Tudo tem início com uma mensagem secreta supostamente enviada por extraterrenos, gravada em um cilindro encontrado em uma propriedade rural do Texas no ano de 1840.  Quando o jipe do professor Kenneth Morgan tem um problema mecânico justamente nas proximidades desta fazenda, ele é socorrido por Gregory Homes, seu proprietário. Assim que o texano percebe que está diante de um especialista em linguística, decide lhe emprestar o objeto encontrado por seu ancestral para que os sinais nele impressos sejam decodificados.
Esse texano encontrara um cilindro metálico com gravações na superfície. Os caracteres estavam gravados numa língua desconhecida. Não pertenciam certamente ao nosso alfabeto. (...) Após muitas sessões que se prolongaram madrugadas adentro, os sinais, muito semelhantes aos ideogramas da escrita oriental, foram então traduzidos. Para estranheza de Morgan, o texto indicava ser de caráter religioso. (...) Sua procedência, ao que tudo indicava, era extraterrestre.

O professor pede ajuda a seu colega, Doutor Robert Lowell, mas ele também não consegue compreender o conteúdo da placa metálica. Kenneth então se vale de um decodificador avançado e finalmente traduz o teor do artefato, surpreendendo-se com a mensagem nele gravada. Ele tem em mãos uma revelação de natureza religiosa transmitida por habitantes de outra esfera cósmica.
Ansioso por revelar esta descoberta a toda a Humanidade, ele entra em contato com editoras de todo o Planeta, mas apenas duas empresas brasileiras e uma italiana entram no páreo. A principal delas é a Heavenbooks, de James Earl Jones. Apesar de o proprietário ser um ex-jornalista norte-americano, a empresa é de origem nacional.

Obcecado pela ideia de publicar a mensagem por ele intitulada O Evangelho de Marte, Jones envia seu principal editor, Giba, para Nova Iorque. Nesta cidade o funcionário deve verificar a autenticidade da tradução e fechar negócio com o Professor. Mas tudo se complica quando a maior adversária da Heavenbooks, a Bonjour, entra em cena na disputa. Kenneth, por sua vez, hesita em vender o manuscrito antes de comunicar sua decisão ao verdadeiro proprietário do cilindro, Gregory Homes.

 Enquanto isso, Giancarlo Batistelli, dono da editora italiana Arrivata, vive um dilema moral e ético. Católico convicto, ele fica dividido entre a tentativa de comprar os direitos da obra e suas obrigações religiosas. Assim, decide consultar o Cardeal Ettore Camilo, assessor do papa, o mexicano Lázaro Diaz.



Batistelli então decide ir para Nova Iorque e descobrir o segredo que envolve o manuscrito, pois só assim poderá se decidir ou não por sua publicação, depois de ouvir a opinião do Papa sobre o texto. Por outro lado, Lázaro passa a ser perseguido por estranhos sonhos que o conectam ao misterioso conteúdo do cilindro.

Uma eventual revelação vinda de seres inteligentes existindo fora dos quadrantes terrestres provocaria uma indesejável reflexão. Mesmo o crente mais fervoroso se perguntaria se Deus havia, afinal de contas, criado e povoado esferas de matéria girando em torno de outros sóis. Também a esses seres o Onipotente teria dotado de uma alma imortal como a nossa? (...)

Só podia acreditar que a Terra era um local privilegiado, pois fora aqui que nascera o Filho de Deus. As Sagradas Escrituras diziam com todas as letras que esse Filho era único, o Unigênito do Pai.  (...) O Cristianismo estaria diante da mais profunda crise da sua história. (...)

O Papa contara que vira, em seu sonho, seres de altura enorme, com mais de dois metros. (...) Seus cabelos eram de um loiro avermelhado e seus rostos, de acordo com a visão do papa, apresentavam três olhos, dois furos no lugar do nariz e, como boca, uma abertura horizontal sem lábios.

Como se não bastassem as peças já dispostas no tabuleiro deste jogo arriscado, o departamento de Ufologia da CIA, comandado por David Murray, sob a chefia de Alfred Perkins, também está de olho na placa metálica, pois acredita que sua mensagem pode comprometer a segurança dos Estados Unidos. Quando um inesperado assassinato é supostamente ligado a esta história, a trama ganha maiores dimensões e os jogadores nela envolvidos farão de tudo para descobrir a verdade por trás da mensagem enigmática.

A narrativa é ágil, dinâmica, e reveza os pontos de vista dos personagens bem caracterizados que povoam o enredo. A visão de Gilberto Taylor, mais conhecido como Giba, é o fio condutor da história, por esta razão o autor a apresenta na primeira pessoa. Os demais focos narrativos são expostos na terceira pessoa, ou seja, com certo distanciamento. Esta estratégia é proposital, pois o editor brasileiro é o personagem mais intimamente envolvido em todo o processo desencadeado pela tradução de Kenneth Morgan.
As passagens do suposto Evangelho de Marte são de uma delicadeza e sensibilidade única. O protagonista deste texto é o profeta Kerk, o qual supostamente teria sido enviado por Deus, ou o Todo, como é descrito na mensagem, para outros astros, como Aei, de onde se origina o cilindro. E aí teria disseminado os ensinamentos do Criador. Este Evangelho, mais abrangente e racional, ameaça a visão dogmática da Igreja de que Jesus é o único filho de Deus.

Quando não havia nenhuma partícula de matéria e o espaço era algo inexistente e o tempo ainda não despertara, só o Todo existia. O Todo era consciência e espírito ativos. Então o Todo resolveu semear consciência e espírito pelo vazio do espaço e do tempo. Assim nasceram as partículas de matéria avivadas pela semeadura do Todo. (...)

Um dia nasceu Kerk e ele nasceu com o reflexo do Todo em uma medida de grande tamanho. Por uma grande quantidade de gerações seus órgãos foram sendo programados para isso para que por eles se refletissem de forma mais forte a consciência e o espírito do Todo. (...)

O Todo é luz. A luz já era luz antes do espaço e o tempo despertarem. A luz vivia no Todo. 

- É puro João. Ele não fala que o Verbo já existia desde o começo dos tempos? E que o Verbo era Deus e que Deus é luz?

Questões pessoais, de mercado, de Estado, de moral e ética se chocam nesta disputa pelo monopólio da verdade. O leitor encontra aqui uma trama que desafia a sua compreensão e dificilmente se enquadra em um gênero literário definido. E mais, o autor constrói um texto dentro de outro texto, e a narrativa interna ainda se desdobra em outras versões da mensagem, conforme o decodificador e o método usado pelo tradutor.
A leitura é de tirar o fôlego; prepare-se para embarcar em uma jornada inusitada pelo universo espiritual, cósmico, histórico e religioso. E não deixe de saborear cada passagem do Evangelho de Marte, reproduzido no livro em estilo bíblico, dividido em capítulos e versículos.



Tudo o que existe vem do Todo e sem o Todo nada existiria. (...)

O caminho (já percorrido) nos ensina a ver melhor (um outro ser). (...)

Kerk fala: “Para encontrar a consciência e espírito que são reflexos do Todo não é preciso sair de casa.”

José Angelo Potiens nasceu na cidade de Botucatu, em São Paulo. Atuou como redator publicitário e roteirista, compondo vários trabalhos para HQs, empresas e programas televisivos. Profissional premiado nas esferas do marketing, da TV e do jornalismo, com sua monografia ‘Tabus do Meio Jornal’ como finalista do Prêmio de Mídia Estadão 2003, ele conquistou também vários prêmios como escritor.

Seu nome consta de um dicionário de escritores e em seu currículo constam obras como O Evangelho de Marte, Canalha no Fio da Navalha, Papo de Anjo e Os Dragões do Doutor Pereira.

 

All Print Editora, 2011


Autor: José Angelo Potiens

Origem: Nacional

Edição: 1

317 Páginas

Preço: R$ 30,00

Capa: Brochura

Formato: Médio



quarta-feira, 11 de abril de 2012

"Desperta ao Amanhecer" (C. C. Hunter)

Galera, finalmente a sequência de Nascida à Meia-Noite desembarca no Brasil. Fãs da série, preparem o coração para mais uma trama eletrizante. Também estou louca para ler! Por enquanto segue abaixo a sinopse da obra.




Finalmente chega ao Brasil o segundo volume da saga Acampamento Shadow Falls, aqui publicado pela Editora Jangada. Ele dá continuidade ao best seller Nascida à Meia-Noite, uma mistura de amizade, autoconhecimento e romance, que já se tornou uma febre nos Estados Unidos e seduz um número cada vez maior de leitores apaixonados pelo gênero fantástico também no Brasil.
  O segundo livro da série, lançado pelo selo Jangada, do Grupo Editorial Pensamento, retrata os obstáculos encontrados pela jovem Kylie Galen para aceitar a si mesma e para se adaptar ao acampamento Shadow Falls. Em Desperta ao Amanhecer a protagonista vivencia o desafio de assumir o novo espaço como seu lar – um acampamento reservado para adolescentes vistos como “especiais”.

  Ela já está consciente de que seus poderes sobrenaturais e sua destreza incomum transcendem os dos outros jovens; ela passa a se questionar à procura do real sentido de seus dons e tenta entender até que ponto deve se beneficiar deles. Afinal, nem mesmo Holiday, gestora do acampamento e uma de suas melhores amigas, sabe como definir a natureza de seus talentos. Primeiro ela é considerada uma “meio-fada”, depois uma vampira e, logo em seguida, uma lobisomem.

Além de ter que aceitar sua estadia em um ambiente no qual é obrigada a conviver com lobisomens, mutantes, bruxas e fadas, em Desperta ao Amanhecer ela se depara com a aproximação de outro fantasma. Ele traz uma estranha e perturbadora mensagem, a de que antes do fim do verão uma pessoa por ela amada irá morrer. É hora de Kylie deixar seus poderes desabrocharem e conhecê-los melhor.

Um desafio pautado em escolhas, entre elas, o amor

As dúvidas e crises individuais têm que coexistir com as escolhas afetivas. Kylie precisa optar entre Lucas, o lobisomem que ela conhece desde a infância, e Derek, o sedutor meio-fada dotado de dons mágicos que a atrai cada vez mais e está decidido a conquistar seu coração.
 Repleta de dúvidas, a jovem resolve se render aos encantos de Derek, mas justamente neste momento ele se distancia dela, decepcionando-a e deixando-a completamente só. É então que Lucas, o lobisomem com quem ela compartilha as mesmas aflições passadas, volta ao acampamento. Kylie percebe que seu coração está realmente dividido e sem rumo. A adolescente está ciente da necessidade de optar entre os dois, a não ser que queira ficar sem nenhum deles.

Mas, no contexto em que se encontra, a jovem decide relegar as questões afetivas ao segundo plano. Um ser da esfera sombria do universo sobrenatural está oculto em Shadow Falls, e pode contribuir para que Kylie finalmente encontre sua identidade e seu destino.
 Ela tem consciência de estar sendo seguida e está determinada a enfrentar seu oponente. Em Desperta ao Amanhecer, apesar de ainda se sentir confusa e desnorteada, Kylie está mais amadurecida e questionadora do que nunca. A maneira lógica com que ela enfrenta seus dilemas revela uma jovem mais estável, destemida e, surpresa!, bem-humorada perante as aflições de sua existência.

Nos primeiros capítulos a autora já convida o leitor a percorrer com avidez cada página, pois logo no começo a narrativa permite que ele entreveja com antecedência as peripécias presentes no restante do livro. Mais um ponto em comum com Nascida à Meia-Noite, C. C. Hunter conclui a trama em um momento crucial; os fãs da saga terão que aguardar ansiosamente o próximo livro da série, Taken at Dusk, para provavelmente descobrir que destino está reservado à protagonista.
C.C. Hunter cresceu no Alabama, onde brincava de pegar vaga-lumes, correr descalça, e regularmente resgatava sapos de seus irmãos, pois achava que poderiam se transformar em príncipes. Hoje ela ainda é fascinada por vaga-lumes, a maioria das vezes usa sapatos, mas o seu foco agora é no resgate de mamíferos. Hoje ela vive no Texas com seus quatro gatos, um cachorro, e um “príncipe” de marido. Quando não está escrevendo, Hunter está lendo, passando o tempo com sua família, ou tirando fotos. C.C. Hunter é um pseudônimo. Seu verdadeiro nome é Christie Craig e ela também escreve romances humorísticos e de suspense para Grand Central.

Editora Jangada, 2012

Autor: C. C. Hunter
Origem: Nacional
Edição: 1
Volume: 2

320 Páginas
Preço: R$ 36,90
Capa: Brochura
Formato: Médio























terça-feira, 6 de março de 2012

"Nascida à Meia-Noite" (C. C. Hunter)

Quanto tempo, não é mesmo?! Andei realmente muito ocupada, mas não consigo ficar muito tempo longe do Prosa Encantada e de seus leitores. Aqui vai o cumprimento de uma promessa. Demorou um pouco, mas aí vai a resenha do livro Nascida à Meia-Noite, da Editora Jangada . Uma aventura inesquecível.


Nesta ficção de estilo sobrenatural a autora se vale deste universo fantástico para explorar os problemas típicos da adolescência, como a crise de identidade, a busca de caminhos, a sexualidade, as crises afetivas e familiares, o bullying, a intolerância humana, a dificuldade de se encaixar em um grupo social, entre outras experiências vividas especialmente nesta fase da existência.

Kylie, uma garota de dezesseis anos, está passando por um verdadeiro inferno astral. Seus pais estão se separando, o primeiro namorado, Trey, trocou-a por outra mais disposta a perder a virgindade, a avó acabou de morrer, sua melhor amiga está se distanciando e, para complicar ainda mais este cenário sombrio, passou a ser perseguida por um soldado por ela batizado como Dude, alguém que só ela é capaz de ver.

Quando comenta com a mãe sobre este militar que parece ter saído diretamente das trincheiras da Guerra do Golfo, a protagonista é imediatamente encaminhada para uma terapia com a Doutora Day. Revoltada com a partida do pai e a reação fria da mulher que a gerou, mas com a qual não tem qualquer empatia, Kylie vai a uma festa regada a bebidas e drogas com sua amiga Sara.

Kylie correu até ele.
- Vou pedir pra vovó falar com a mamãe. Ela vai conseguir... (...)
Não podia mais pedir que a avó resolvesse seus problemas. A avó estava morta. A imagem dela deitada, fria, no caixão dominou a mente de Kylie e outro soluço brotou em sua garganta.
O olhar do pai demonstrava agora preocupação. O mesmo olhar que levara Kylie para o consultório da terapeuta três semanas antes.
- Estou bem. Só esqueci. - Porque a lembrança machucava muito.
Embora ela nem mesmo experimente qualquer bebida alcoólica, é presa junto com outros participantes da balada. É então que sua mãe, seguindo o conselho da terapeuta, decide enviá-la a um acampamento de verão para jovens considerados problemáticos. Shadow Falls, no Texas, revela-se uma surpresa na vida de Kylie; sua primeira reação é a rejeição, o preconceito e a intolerância.
 
 
Ela mal pode acreditar no que vê: uma garota com cabelo tricolor e no colo um sapo ora visível, ora invisível; outra pálida e gelada que se oculta atrás de óculos escuros; um garoto com olhos de cores mutantes; outro repleto de piercings; e um jovem muito parecido com seu ex-namorado, Derek, embora seus olhos tenham pequenas estrias douradas em torno das pupilas.

No mesmo dia de sua chegada, Kylie descobre que os jovens supostamente perturbados são, na verdade, seres sobrenaturais, e, pior ainda, ela também é considerada especial, provavelmente não humana, mas tudo que Holiday, a líder do acampamento, sabe sobre ela, é que tem o dom de ver espíritos.

- Vocês sabem por que mudaram o nome do acampamento para acampamento Shadow Falls? - perguntou a Garota do Sapo. (...)

- Por causa da lenda indígena de que, no crepúsculo, se você ficar de pé debaixo da cachoeira, pode ver as sombras dos anjos da morte dançando.

Anjos da morte dançando? Que havia de errado com aquela gente?

(...) Então, sua curiosidade, sua necessidade de saber evaporou-se na atmosfera quase irrespirável. Só agora entendia o sentido da frase "A ignorância é uma bênção". Queria continuar ignorante. Não queria ver, não queria acreditar.

Ironicamente esta habilidade, que implica em não poder ter a mente decifrada pelos outros membros do acampamento, a leva a experimentar o mesmo veneno que, inicialmente, destilou contra seus companheiros. Ela é incompreendida, temida e discriminada pelos hóspedes de Shadow Falls, por vampiros, lobisomens, bruxas, fadas e metamorfos.

Mesmo entre os diferentes a protagonista encontra dificuldades de se inserir, pois ainda não sabe quem ou o que é, nem mesmo se é humana ou sobrenatural. Seu pesadelo parece não ter fim, mas as garotas que considerava aberrações logo se tornam suas melhores amigas e companheiras de alojamento: a bruxa Miranda e a vampira Della.
- Todos os sobrenaturais conseguem ler a mente das outras pessoas. Lendo humanos, notamos um padrão genérico. Lendo outros sobrenaturais, geralmente conseguimos saber o que são. (...)
- Acontece que quem tem o dom de conversar com fantasmas é muitas vezes lento para ler outras pessoas e difícil de ser lido. Não queremos parecer rudes, mas nossas mentes não funcionam no mesmo plano que o dos demais. (...)
Bem-vinda ao mundo das panelinhas. (...) Sara e Kylie pertenciam: a panelinha dos sem panelinha. (...)
Eles não eram odiados nem maltratados, apenas invisíveis. (...) lembrou-se de um ditado que a avó sempre citava: "Cada qual com seu igual".
Ali as panelinhas não se pareciam em nada com as do colégio.

Derek
Além do mais, Kylie logo conquista o coração de dois garotos do acampamento. Derek, meio fae – algo equivalente ao masculino de fada –, mexe com suas emoções, mas ela teme que ele esteja apenas usando seus dons para levá-la a acreditar que o ama; já Lucas, o lobisomem, desperta nela uma intensa paixão e traz de volta um passado secreto compartilhado por ambos.

Dividida entre dois jovens completamente diferentes e dois universos distintos, o dos humanos e o dos sobrenaturais, a garota mergulha em uma jornada de autoconhecimento dolorosa, porém necessária. Sua busca envolve antigos segredos familiares e a difícil aceitação de si mesma.
Durante dezesseis anos, havia tentado descobrir quem era. E, embora soubesse que ainda tinha um longo caminho pela frente, sentia confiança nas próprias descobertas. Agora, porém, percebia que não só estava errada sobre quem era como nem sequer sabia o que poderia ser.

Resumindo, uma crise de identidade.
Enquanto isso, ela é envolvida em uma luta ancestral entre espécies variadas de entes sobre-humanos.  No contexto desta guerra provisoriamente contida pela convivência em Shadow Falls, emerge um confronto entre gangues que não aceitam a coexistência com a Humanidade e os defensores deste contato harmonioso, o que põe em risco a sobrevivência do acampamento.

Este thriller eletrizante e saboroso, impossível de se deixar de lado até a última linha, é uma destas leituras inesquecíveis que não saem de nossa mente. É fácil nos identificarmos com esta narrativa ao mesmo tempo engraçada e emocionante, pois seus personagens vivenciam nossas próprias experiências e aventuras, o inevitável ritual de passagem para a maturidade, conhecido como adolescência.

Bem no fundo, você sempre soube que era diferente. As palavras de Holiday pairavam sobre sua cabeça. E, pela primeira vez, admitiu para si mesma que Holiday estava certa. Kylie sempre achou que era diferente. Uma estranha no ninho. No entanto, não era... diferente. Bem, talvez fosse.
O surpreendente final da história nos deixa um gosto de quero mais, principalmente quando lemos um pequeno trecho do próximo volume da saga Os Sobrenaturais, intitulado Desperta ao Amanhecer. C. C. Hunter é certamente uma das melhores autoras contemporâneas deste gênero literário.

Confesso que vou sentir muita falta desta história bem estruturada, criativa e inteligente, bem como de seus personagens, que lembram muito os que povoam a trama da série House of Night, de P C e Kristin Cast. Estou ansiosa para ler a sequência, que promete emoções ainda mais intensas.




C. C. Hunter, nome artístico de Christie Craig, reside em Spring, no Texas. Além de compor os volumes desta saga genial, dirigida especialmente aos jovens adultos, ela produz igualmente novelas românticas e histórias engraçadas. A autora viveu muito tempo no Alabama, e esta etapa de sua existência inspira até hoje a criação de suas narrativas mágicas e encantadas.

Editora Jangada, 2011

Autor: C. C. Hunter

Origem: Nacional

Edição: 1

Volume: 1

315 Páginas

Preço: R$ 36,90

Capa: Brochura

Formato: Médio

http://www.editorajangada.com.br/

sábado, 14 de janeiro de 2012

"Uma Estranha Simetria" (Audrey Niffenegger)

Oi Pessoal! Que saudades! Como perceberam, tirei um tempinho de férias para resolver outras questões. Mas estou de volta, com todo o gás rs rs rs! E vou aproveitar para falar sobre um livro bem peculiar, Uma Estranha Simetria. Esta obra realmente bagunçou minha cabeça; ainda hoje, algum tempo depois da leitura, não tenho uma opinião completamente formada sobre ele no todo, embora o final tenha me cativado de verdade. Quero muito saber a opinião de vocês, se ou quando tiverem lido este livro.
Neste livro a ordem natural das coisas é alterada, barreiras invisíveis são transpostas e uma sensação de estranhamento vai lentamente tomando conta da narrativa e do leitor. Os personagens brincam com o destino e manipulam, cada um a seu modo, os rumos da existência, como se fossem deuses.
Edie e Elspeth compõem a primeira geração de gêmeas da família Noblin. A vida de ambas é moldada por uma educação rigorosa e conservadora, especialmente na linhagem paterna. Tentando fugir deste contexto opressivo, elas criam um universo próprio, no qual é possível se rebelar, pregar peças nas pessoas e passar uma pela outra diante dos colegas.
As escolhas e atitudes das irmãs determinam o futuro de cada uma e os descaminhos desta história, assim como explicam, já na segunda metade da obra, o porquê do súbito distanciamento entre duas criaturas tão ligadas entre si que, às vezes, era impossível saber onde começava uma e terminava a outra.
(...) Robert já sabia que a vida familiar dela tinha sido infeliz: não havia ali grandes surpresas, só uma tristeza agourenta que se misturava com coisas normais de menina, jogos, a peça da escola e coisas do gênero. (...)
Eu te contei muitas histórias sobre Elspeth e eu, uma fingindo ser a outra. Mas você nunca nos viu juntas - éramos muito parecidas, muito iguais. E nos conhecíamos muito profundamente. Quando éramos jovens, tínhamos dificuldade de ver onde começava uma e terminava a outra.
Suas decisões vão afetar também o destino da segunda geração de gêmeas, Valentina e Julia, filhas de Edie e Jack, o provável pivô da separação de sua esposa e da cunhada. Vinte e um anos depois, sem que as irmãs voltem a se ver, separadas por um oceano, pois uma permanece em Londres e a outra se tornou americana, residindo agora em Chicago, um trágico evento traz o passado de volta.
Elspeth, na fase terminal de uma grave leucemia, redige um testamento no qual deixa para as sobrinhas o apartamento no qual morava, com toda a mobília e seus objetos de estimação, inclusive a cama em que dormia com a irmã durante a infância. De sua janela é possível admirar a paisagem majestosa do cemitério de Highgate, em Londres.
Valentina e Julia nunca estiveram em Londres, e jamais deixaram os Estados Unidos. Elas sempre viveram ao lado dos pais em um subúrbio de Chicago. Uma profunda ligação as acompanha desde o útero materno. Enquanto a primeira é frágil, delicada, dependente e insegura, a outra é independente, forte, determinada, corajosa e autoritária.
(...) elas pareciam estranhas em qualquer lugar. (...) O que tornava as gêmeas tão peculiares era difícil de definir. As pessoas ficavam pouco à vontade quando as viam juntas, sem saber exatamente a razão. As gêmeas não eram simplesmente idênticas: eram imagens espelhadas. Esse espelhamento não se limitava à aparência, mas envolvia cada célula de seus corpos. (...) Enquanto os órgãos de Julia se distribuíam da forma convencional, os de Valentina estavam invertidos.
Julia domina Valentina e acredita ter sobre ela um direito de posse maior que o da própria mãe. De seu ponto de vista, a irmã morreria se ela não a protegesse e determinasse seu futuro. Para a jovem, é impossível realizar qualquer coisa sem a companhia de sua gêmea.
Por esta razão, ambas ainda são virgens, apesar de já estarem completando vinte e um anos, e ainda não definiram suas escolhas profissionais, pois para Julia elas têm que seguir a mesma carreira, e até então não foi possível encontrar algo em comum entre as duas nesta esfera. Valentina adora moda e a irmã ainda não sabe o que quer para sua vida.
Julia se empolga com a ideia de viver em Londres, enquanto Valentina sente um desejo irresistível de permanecer em sua terra natal. Elspeth, por sua vez, determina que as gêmeas só tenham a propriedade do apartamento após viverem aí durante um ano, e durante este período os pais das jovens não poderão entrar em sua antiga residência. Um estranho segredo do passado paira sobre a família, e as jovens, que até então desconheciam a existência de uma tia, gêmea de sua mãe, estão determinadas a descobrir o que provocou a ruptura entre ambas.
O que elas não sabem é que o espírito de Elspeth permanece prisioneiro em seu apartamento, e fará de tudo para entrar em contato com elas e com seu grande amor, Robert. Por ironia do destino, Valentina e o ex-amante de sua tia acabam se envolvendo, apesar da diferença de idade.
A princípio, ela simplesmente vagara pelo apartamento. Tinha pouca energia e passava muito tempo contemplando seus antigos bens. Cochilava e acordava de novo horas, talvez dias depois - não sabia dizer e não importava. Ela não tinha forma e passava tardes inteiras rolando pelo chão em busca de um pedacinho de luz do sol, deixando que ele aquecesse todas as partículas de si como se ela fosse feita de ar, para que ela subisse e descesse, aquecida e refrescada.
Este relacionamento provoca uma séria crise de ciúmes em Julia, que vê em Robert alguém prestes a separá-la de sua irmã, e em Elspeth, que, apesar de estar morta, não consegue se desprender do sentimento que nutre por seu antigo companheiro. Sentindo-se só, Julia se aproxima de Martin, o vizinho do andar de cima, vítima de um Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) que o mantém preso em seu apartamento e provoca a partida de sua esposa, Marijke.
Estas aproximações e distâncias vão culminar em um inusitado triângulo amoroso envolvendo vivos, mortos, felinos e eventos do passado que voltam para assombrar o presente e, assim, determinam um desfecho surpreendente e inesperado. Esta complexa trama enfoca questões simétricas de várias espécies, desde as cultivadas por Martin no auge de suas crises, até as simetrias físicas e emocionais das gêmeas – os órgãos de Valentina ocupam posições inversas em relação aos de Julia; até mesmo seu coração está no lado oposto do peito.
Muitos dos rituais de lavagem e cuidados de Martin eram organizados em torno da noção de simetria: uma passada do barbeador do lado esquerdo exigia outra, idêntica, do direito. (...) Completude: quando fazia tudo certo, Martin obtinha a satisfação (fugaz) de uma série de movimentos, tarefas, números, lavagens, pesamentos, não pensamentos. Mas não era bom sentir-se satisfeito demais. A ideia não era fazer algo para se agradar, mas para evitar um desastre.
As experiências e vivências da gêmea no apartamento de Elspeth, especialmente as que se referem à morte, não somente pela presença ostensiva do Cemitério, mas também por seus questionamentos e desejos interiores e pela convivência com o espírito da tia, transformarão radicalmente a vida de ambas; nenhuma delas será mais a mesma após o prazo final estabelecido pelo testamento.
A autora cria uma história eletrizante, repleta de surpresas, impossível de se deixar de lado antes do final imprevisto, e na qual mais uma vez está presente a transcendência das diretrizes naturais, como em seu livro de estreia, A Mulher do Viajante no Tempo, que deu origem a uma versão cinematográfica lançada em 2009 e intitulada Te Amarei para Sempre.
Para compor esta narrativa ela realizou pesquisas exaustivas sobre o cenário que protagoniza, de certa forma, o enredo. Audrey viveu em Londres durante a etapa investigatória, e ao longo deste tempo ela atuou como guia no cemitério Highgate, o que lhe confere a autoridade necessária para discorrer sobre as histórias que envolvem esta instituição, as oficiais e as não convencionais.
(...) havia só o próprio cemitério esparramado ao luar, como uma alucinação em suaves tons de cinza, um desvario de melancolia vitoriana talhado em pedra. (...)
Ao combinarem reforma higiênica e inovação com consciência de classe, os vitorianos haviam criado o cemitério Highgate como um teatro para o luto, um cenário para o descanso eterno.
Audrey Niffenegger nasceu em South Haven, Michigan, no dia 13 de junho de 1963. Artista plástica, ela é autora também de duas obras ilustradas, The Three Incestuous Sisters e The Adventuress. Atualmente ela reside em Chicago. A escritora tem hoje um carinho especial por Highgate, e sempre que está em Londres visita o cemitério.

Editora Objetiva, 2011

Autor: Audrey Niffenegger

ISBN: 978-85-60280-79-7

Origem: Nacional

Edição: 1

359 Páginas

Preço: R$ 34,30

Capa: Brochura

Formato: Médio

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

"Amanhecer" (Stephenie Meyer)

Oi Galera! Contagem regressiva para a estreia da primeira parte do filme Amanhecer, não é mesmo? Pensando nisso, decidi postar aqui a resenha sobre o último livro da sére Crepúsculo. Só para refrescar um pouco a memória!!!!!!! Como se fosse possível esquecer, não é mesmo?



Ler Amanhecer é como mergulhar em um universo de mitos que nos envolve de tal maneira que, subitamente, ele se transforma na única realidade possível. Nesta sequência final da série Crepúsculo, a trama se torna ainda mais eletrizante, as hesitações se definem, escolhas são realizadas e o leitor finalmente saberá se Bella, a protagonista da saga, optará por continuar humana ou se converterá definitivamente em vampira.

No final de Eclipse - volume anterior -, Bella ainda está dividida entre dois amores distintos, ambos do circuito mítico – o vampiro Edward e o lobisomem Jacob. Ela ainda vacila, também, entre sua condição humana e o seu futuro como vampira, pesando em sua balança interior o que conquistará e o que perderá com suas escolhas.

Pode-se correr de alguém de quem se tenha medo; pode-se tentar lutar com alguém que se odeie. Todas as minhas reações eram preparadas para aqueles tipos de assassinos — os monstros, os inimigos. Mas quando se ama aquele que vai matá-la, não lhe restam alternativas. Como se pode correr, como se pode lutar, quando essa atitude magoaria o amado? Se sua vida é tudo o que você tem para dar ao amado, como não dá-la? Quando ele é alguém que você ama de verdade.

Em Amanhecer uma nova jornada a aguarda, um casamento que a apavora, seu distanciamento da família, especialmente do pai, Charlie, e a imprevisível lua-de-mel, da qual ela não sabe o que realmente esperar. Tudo é mistério e incógnitas diante de si. Por outro lado, Jacob, seu melhor amigo, igualmente aspirante ao seu coração, está desaparecido, transfigurado em forma de lobo, fugindo desesperadamente diante da possibilidade de perder seu grande amor.


Bella se refugia em suas fantasias, imaginando como será seu mundo ao lado de Edward, tentando conceber a si mesma como vampira, buscando a autoconfiança que não a ampara em sua identidade humana. Ela segue adiante e se torna a Senhora Cullen, cheia de expectativas e esperanças, embora sua felicidade ainda esteja incompleta, pois sabe o quanto Jacob está infeliz.

Não importava quantas vezes eu tivesse dirigido pela conhecida estrada para casa, eu ainda não conseguia fazer com que os cartazes desbotados pela chuva desaparecessem ao fundo. Cada um deles, colados nos postes telefônicos e em placas de rua, era como um novo tapa na cara. Um merecido tapa na cara. Minha mente foi levada de volta ao pensamento que interrompi tão rapidamente. Eu não conseguia evitar aquela estrada. Não com as imagens de meu mecânico preferido voando por mim a intervalos regulares.
Meu melhor amigo. Meu Jacob.
Você viu esse garoto? Os cartazes não foram idéia do pai de Jacob. Foram do meu pai, Charlie, que os imprimiu e espalhou por toda a cidade.

A partir desta escolha de Bella, tudo pode acontecer, até mesmo o que o leitor jamais poderia esperar. E quando tudo parece se encaminhar para a resolução dos sentimentos envolvidos neste triângulo amoroso, e as feridas parecem começar a cicatrizar, a trama toma novamente um rumo inesperado, que pode não só mudar o mundo dos vampiros e dos lobisomens, mas até mesmo destruí-los.

Stephenie Meyer inova neste romance ao deixar de lado o ponto de vista único, protagonizado por Bella, e ao criar, a exemplo do que já tentara em Eclipse, uma visão multíplice, ao incluir a voz de Jacob na narrativa. Esta é completamente subvertida ao assumir o ângulo do outro vértice do triângulo, ao revelar a forma como ele vê os outros personagens e o próprio enredo. É possível que o leitor até se esqueça de que, até então, a trama era conduzida pelas lembranças de Bella.

Talvez não houvesse história nenhuma. Talvez Charlie ligasse para perguntar ao meu pai se ele sabia de alguma coisa sobre o Dr. Cullen, que certo dia não apareceu para trabalhar. A casa abandonada. Nenhuma resposta em qualquer dos telefones dos Cullen. O mistério narrado em um noticiário de segunda classe, a suspeita de um golpe...
Talvez a grande casa branca fosse completamente queimada, com todos presos lá dentro.
(...) Conhecia Edward bem o bastante para saber que, se eu matasse alguém do bando dele, teria minha chance com ele também. Ele viria para se vingar. (...) Seríamos só ele e eu. E que o melhor vencesse. (Jacob)

Sob este ponto de vista, é possível perceber que as escolhas de Bella não transformaram definitivamente apenas o universo dos Cullen, mas também, e principalmente, o clã dos lobos. Com o desenrolar dos acontecimentos, o líder deles, Sam, vê sua autoridade, adotada por falta de um alfa legítimo, ser contestada por Jacob, que está naturalmente destinado a ocupar esta posição. Depois deste passo decisivo, nada mais será como antes. O clã está inevitavelmente fissurado.



Neste volume, todos os mistérios e tramas habilmente dispostos ao longo da saga são finalmente decifrados e solucionados. Mas, até chegar a esta conclusão assombrosa, o leitor terá que se munir de nervos de aço, pois a história se desenrola de tal forma, que ele não deve estranhar se não conseguir respirar, a não ser depois que alcançar a margem extrema da narrativa. Ou seja, quando finalmente amanhecer.

Editora Intrínseca, 2009

Autora: Stephenie Meyer

ISBN: 9788598078465

Origem: Nacional

Edição: 1

567 Páginas

Preço: R$ 39,90

Capa: Brochura

Formato: Médio

Volume: 4

terça-feira, 25 de outubro de 2011

"Eclipse" (Stephenie Meyer)

Galera, está cada vez mais próxima a tão aguardada estreia do filme Amanhecer, baseado, como todos sabem rs rs rs, no último volume da série Crepúsculo. Pois é, a primeira parte vai ser lançada nos cinemas no dia 18 de novembro deste ano. Neste mesmo dia pretendo postar aqui a resenha sobre o livro Amanhecer; por enquanto, fiquem com Eclipse.




Nesta sequência da saga Crepúsculo, Bella não encontra mais seus adversários e fantasmas apenas no plano exterior, mas também e principalmente em si mesma. Presa a sentimentos confusos e atormentados, ela se vê fragmentada, dividida entre dois universos completamente diferentes, o do fogo e o do gelo, como bem prenuncia a epígrafe do livro, um belo e misterioso poema de Robert Frost.

Alguns dizem que o mundo acabará em fogo,
Outros  em gelo.
Fico com quem prefere o fogo.
Mas, se tivesse de perecer duas vezes,
Acho que conheço o bastante do ódio
Para saber que a ruína pelo gelo
Também seria ótima
E bastaria.

Como a protagonista do romance O Morro dos Ventos Uivantes, que Bella não consegue parar de ler, ela permite que emoções contraditórias a dominem e não teme o monstro que pode se tornar ao se transformar em vampira, mas igualmente o ser monstruoso que já se insinua dentro de sua própria humanidade, o egoísmo.

Entre o amor e a amizade; a promessa de um futuro, ao mesmo tempo desejado e temido, e a lealdade a um antigo companheiro, a personagem desta trama cada vez mais elaborada e irresistível se encontra, em Eclipse, à beira de uma encruzilhada que determinará toda a sua existência.

Além disso, Bella tem consciência de viver entre mitos e lendas ancestrais, e de estar situada exatamente no epicentro de um antigo conflito entre vampiros e lobisomens, materializado em sua vida na forma de um triângulo amoroso – de um lado, sua eterna paixão pelo vampiro Edward; de outro, sua amizade por Jacob, o lobisomem. Qualquer decisão sua pode, sem querer, reacender este velho confronto.

Sim, eu sinto sua falta também. Muito. Isso não muda nada. Desculpe.
Jacob
.
Passei os dedos pela folha de papel, sentindo as marcas onde ele pressionara tanto a caneta que quase a rasgou. Eu podia imaginá-lo escrevendo isso — rabiscando as letras furiosas com sua caligrafia tosca, riscando linha após linha quando as palavras saíam erradas, talvez até quebrando a caneta com sua mão grande demais; isso explicaria as manchas de tinta. Eu podia imaginar a frustração unindo suas sobrancelhas pretas e enrugando sua testa. Se eu estivesse lá, poderia até rir. Não tenha um derrame cerebral por isso, Jacob, eu teria dito a ele. É só colocar para fora. (...)

Edward tinha outra palavra em mente, que era a origem da tensão que eu sentia. Eu tinha arrepios só de pensar nela.
Noiva. Argh. Dei de ombros para me livrar da idéia.

Como se isso não bastasse, Bella é novamente ameaçada por Victória, seu pior pesadelo, e por um enigmático inimigo sem face, o qual deixa um rastro de sangue atrás de si, em crimes aparentemente cometidos por um psicopata, na vizinha cidade de Seattle. Além disso, ela se apavora diante da possibilidade de reencontrar, ainda sob a forma humana, os apavorantes Volturi.

Este terrível cenário torna-se ainda mais assustador à medida que se aproxima a formatura de Bella, pois este é o momento escolhido pelo líder do clã dos Cullen, Carlisle, para que ela finalmente realize seu grande sonho, o de adentrar as luzes – ou as sombras? – da eternidade. Mas a protagonista desta saga, diante de tantos questionamentos interiores, não se sente mais tão segura e convicta de suas escolhas.

Muitas questões fundamentais, fios que tecem a existência no mundo contemporâneo, são abordadas neste livro pela autora, tais como a constituição da natureza humana, os limites entre o Homem e a fera, o racional e o irracional, o que é natural e o que impede a vida de seguir seu curso normal, as sombras que se insinuam nas relações entre os seres, a importância cada vez mais premente da prática da tolerância.

Com gelo no coração, eu o vi se preparar para me defender. Sua intensa concentração não demonstrava sinal algum de dúvida, embora eles estivessem em maior número. Eu sabia que não podíamos esperar qualquer ajuda — naquele momento, era certo que a família dele lutava pela própria vida assim como ele lutava pela nossa.
Será que um dia eu saberia o resultado desse outro combate? (...)
Olhos negros, selvagens com o desejo feroz por minha morte, esperavam o momento em que meu protetor estivesse distraído. O momento em que eu certamente morreria.

Stephenie Meyer conduz seus leitores com maestria pelas páginas de seus livros. Ela constrói personagens com os quais cada um pode se identificar sem problemas. Nada de heroínas, personagens irretocáveis e perfeitos. Bella é antes de tudo humana, portanto tem a liberdade de ser nobre e egoísta, fascinante e chata, corajosa e covarde.
Nem mesmo Edward e Jacob, integrantes do imaginário fantástico, escapam das saborosas e bem-vindas imperfeições da Humanidade, e na disputa por Bella, recorrem a todos os ardis disponíveis. Para os fãs da saga, mais um presente de Stephenie, irresistível e compulsório!

A autora continua a se inspirar, como deixa claro nos agradecimentos, nas bandas que compõem o cenário do novo rock alternativo nos Estados Unidos e na Inglaterra. Muse, Linkin Park, Paramore, The Killers, e suas recentes descobertas, Placebo, Blue October, Ok Go, entre outras bandas, podem embalar perfeitamente não só a transposição desta trama para as telas dos cinemas, mas também a própria leitura do livro.





Editora: Intrínseca

Autor: Stephenie Meyer

ISBN: 9788598078410

Origem: Nacional

Ano: 2009

Edição: 1

Número de páginas: 464

Acabamento: Brochura

Formato: Médio

Volume: 3