sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

"Minha Semana com Marilyn" (Colin Clark)

Oi Galera, estou de volta com um lançamento da Editora Seoman. Mais um livro que rendeu um filme, o qual promete muito sucesso; afinal, conta com indicação de melhor atriz no Oscar e já faturou um Globo de Ouro nesta categoria. É incrível perceber que aqui se completa um círculo, pois a história teve início em um set de filmagem, virou livro e agora retornou ao cinema.



No princípio do verão de 1956 um jovem recém-egresso de Oxford, alimentando o sonho de ficar famoso no meio cinematográfico, conquistou uma posição invejável no set de filmagens de O Príncipe Encantado, protagonizado por ninguém menos que a maior estrela de Hollywood, Marilyn Monroe.
Ele era apenas o terceiro assistente do diretor, mas nesta época viveu uma semana mais radiante que a de qualquer outro astro do cinema. O rapaz foi indicado por Sir Laurence Olivier para esta função, já que o intérprete era conhecido de seus pais e o protagonista do filme ao lado de Marilyn.
A atriz, por sua vez, estava em plena lua de mel depois de se casar com seu marido mais recente, o dramaturgo Arthur Miller. Isto não a impediu, porém, assim que Miller deixou a Inglaterra, de dividir sua vida, suas revelações mais íntimas e até mesmo a cama com Colin Clark, que então tinha apenas 23 anos.
O romance nasce à medida que o rapaz apresenta à atriz os cantinhos mais charmosos de Londres e lhe revela o modo de vida dos ingleses. A moça retribui lhe desvendando sua falta de confiança em si mesma, os pontos frágeis de sua personalidade e a imensa aflição nos momentos em que era obrigada a enfrentar seu status de celebridade. É, nem tudo era magia e felicidade no universo de Marilyn.
Do ponto de vista do autor, a atriz não conseguiu desenvolver uma identidade peculiar, definida, algo que garante uma existência segura e saudável. Não tinha habilidade para enfrentar as exigências que era forçada a cumprir, os compromissos de sua carreira artística. Estes traços psicológicos delineiam uma narrativa fascinante, a qual surpreende o leitor com seu final imprevisto.
A narrativa verdadeira, terna e bem-humorada destes momentos inesquecíveis deu origem ao livro Minha Semana com Marilyn, publicada no Brasil pela editora Seoman. A princípio o autor publicou apenas um diário das filmagens, intitulado The Prince, the Showgirl and Me, 40 anos depois de seu caso com a atriz. Nesta obra ele omitia este período apaixonante.
Algum tempo depois Colin finalmente revelou ao mundo suas experiências pessoais com a intérprete. Agora esta obra foi adaptada para as telas dos cinemas, onde tudo começou, como 7 Dias com Marilyn. O filme, que chega ainda este mês ao Brasil, é protagonizado por Michelle Williams, divina como a glamorosa atriz de Hollywood, e vencedora do Globo de Ouro como melhor Atriz por esta interpretação.
Ela contracena com Kenneth Branagh, como Sir Laurence Olivier; Dougray Scott, como o marido da atriz; e Eddie Redmayne como Colin Clark. A direção ficou a cargo do cineasta Simon Curtis e o roteiro foi adaptado por Adrian Hodges, conhecido por sua saga Sobreviventes.
Fotos da estrela e uma carta dirigida a Peter Pitt-Millward, amigo de Colin, anexada no final do livro, enriquecem a obra. Ela reproduz um relato sincero, terno e bem-humorado de como a maior atriz do cinema procurou consolo nos braços de um jovem assessor do set de filmagens.
Colin Clark nasceu em 1932, na capital inglesa.  Seus estudos se realizaram no Eton College. Autor e cineasta inglês, ele se aperfeiçoou em produções sobre artes. O autor era ainda muito jovem em 1956, quando atuou como auxiliar de direção durante as filmagens de O Príncipe Encantado.
 Na época ele adquiriu o hábito de registrar em um diário pessoal a rotina do set. Atuou também nas peças The Entertainer, Titus Andronicus, entre outras, ao lado de Laurence Olivier. Colin morreu no dia 17 de dezembro de 2002, em Londres, aos 70 anos de idade.
Editora Seoman, 2012

Autor: Colin Clark

Origem: Nacional

Edição: 1

160 Páginas

Preço: R$ 24,90

Capa: Brochura

Formato: Médio


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

"Queremos Miles"

Oi Galera! Domingo, 29 de janeiro, é a última oportunidade para ver a exposição Queremos Miles. É simplesmente uma experiência inesquecível e imperdível esta jornada pela vida e arte do maior músico do Planeta (em minha opinião e na de muitos!), mesmo para quem não conhece ou não é exatamente fã de Miles Davis.

A mostra inicia com a apresentação de sua infância em St. Louis, os primeiros passos do jovem Miles na trajetória musical, sua paixão pelo bebop, a posterior adoção do cool jazz, a passagem pelas várias vertentes do jazz, a queda desastrosa no mundo das drogas, a determinação no momento de deixar a heroína, a gravação do mítico Kind of Blue, em 1959, o lançamento do clássico Sketches of Spain, o nascimento do subversivo e alucinante álbum Bitches Brew, até desembocar na última apresentação no La Villette de Paris.
Não esperem uma exposição tradicional. O percurso é um tanto labiríntico e fascinante; é possível mergulhar em cada etapa de sua vida e criação em ordem cronológica; se ficar meio perdido, pular algumas etapas e voltar depois, sem problemas, pois esta opção nos dá a sensação de estabelecermos nosso próprio roteiro pela vida do ícone do jazz.
Os organizadores da mostra unem imagem, som e recursos multimídia para que possamos realmente imergir no universo de Miles. Em pequenas salas, ligadas ao bloco temático percorrido, a experiência sensorial é mais intensa e o contato com determinados momentos de sua vida é mais íntimo.
Assim, há uma sala reservada somente para o álbum Kind of Blue, outra para Bitches Brew, e assim por diante; em cada uma delas é possível sentar-se confortavelmente, fechar os olhos, ouvir as músicas relacionadas àquele estágio cronológico e viajar ao som de Miles.
Há um espaço fantástico no qual um trecho do filme Ascensor para o Cadafalso é exibido. Nele a expressiva atriz Jeanne Moreau perambula pelas ruas de Paris ao som da trilha conduzida por Miles Davis e criada em uma única noite a pedido de seu diretor, Louis Malle, então estreante nas telas dos cinemas.

Cada ambiente tem sua magia particular. É uma oportunidade única ver as capas de seus discos, os trompetes coloridos do músico, gravados com seu nome, fotos, especialmente as assinadas por Annie Leibovitz e Irving Penn, partituras, o órgão da fase mais elétrica, o piano – único instrumento exposto sem nenhuma proteção, suas teclas ao alcance das mãos, é muita tentação! -, documentos, obras de arte, especialmente as pinturas de Jean Michel Basquiat.
Após experimentar as mais variadas faces do jazz, de flertar com o rock e até mesmo com o funk, o artista se isola a partir de 1975 e cai em terrível depressão. Este estágio da exposição é realmente sombrio e assustador, um corredor estreito revestido de preto, representando a ausência de luz na vida e no apartamento do músico, onde janelas e cortinas estavam sempre cerradas.
Mas então chega 1991e finalmente os apelos do público, das gravadoras e de outros músicos dão resultado; ele retorna com o álbum The Man With the Horn e com a gravação We Want Miles, que dá título a esta exposição e traduz o desejo de todos na época.
Então o visitante da mostra sai das sombras e ingressa em um ambiente totalmente vibrante, colorido, atordoante. Na tela a transmissão de um show ao vivo desta época; por todos os lados é possível encontrar recursos multimídia, fones de ouvido nos quais é possível ouvir entrevistas, participações de Miles em peças publicitárias, como o anúncio de uma vodka japonesa, trechos de filmes e figurinos deslumbrantes.
Neste momento o músico assume-se enquanto ícone da cultura moderna e torna-se também um símbolo do universo fashion; passa pelas passarelas e veste figurinos de estilistas japoneses famosos e até de Versace, e eles estão expostos neste mesmo espaço, encantando nosso olhar. Aí também são exibidas as pinturas desenvolvidas pelo músico nesta última etapa. O álbum mais célebre desta etapa é Tutu, de 1986. Miles então se aproximou do universo mais pop, de artistas como Cindy Lauper e Michael Jackson.



A exposição foi organizada pelo museu Cité de la Musique, de Paris, quando a gravação de Kind of Blue completou cinqüenta anos e a de Sketches of Spain fez quarenta anos. A curadoria é de Vincent Bessiéres. Aproveitem o fim-de-semana e não deixem passar esta oportunidade. E, se puderem, comprem a obra de Bessiéres sobre Miles, à venda no SESC Pinheiros ou pelo site. Em breve vou postar aqui sobre este livro e o Kind of Blue, escrito pelo jornalista Richard Williams e publicado pela Casa da Palavra.

Onde: Sesc Pinheiros (R. Paes Leme, 195, Pinheiros)
Tel. (011) 3095-9400
Quando: até dia 29/1/2012, Terça a sexta, das 10h30 às 21h30, Sábados, domingos e feriados, das 10h30 às 18h30.
Quanto: Grátis
Informações: www.sescsp.org.br

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

"Encontros com Deus" (Jennifer Skiff)

Pessoal, aqui vai mais um lançamento da Editora Pensamento, espero que vocês gostem. Ainda não li, mas fiquei com água na boca. Espero mais adiante poder fazer a leitura deste livro tocante, capaz de mudar a vida de alguém.


Esta obra da jornalista Jennifer Skiff traz revelações surpreendentes e emocionantes sobre a presença de Deus em nossas vidas. Este é o tema do novo livro publicado pela Editora Pensamento. A autora divide com o leitor suas vivências e lhe concede veementes aulas de fé.
É comum nos perguntarmos o porquê de nossa estadia na Terra; se algo nos aguarda após a morte; se existe realmente um Criador. Quem nunca pensou nem por um segundo nestas questões? Mas a verdade é que poucos encontram alguma resposta coerente e aceitável.
A jornalista investigativa passa por uma experiência inesquecível; depois de descobrir ser portadora de um câncer aterrador aos trinta e poucos anos, ela passa a ter certeza da ação de um ser divino em sua existência. Deste momento em diante, com a ajuda de sua percepção profissional, decide buscar outros que tenham passado por histórias da mesma natureza.
O fruto destas pesquisas é a obra Encontros com Deus, um êxito de vendas em vários países. Desde sua publicação esta narrativa figurou no topo da lista dos livros mais vendidos da Amazon por 160 semanas, transformando-se em um verdadeiro best-seller. Agora ele chega ao Brasil através da Editora Pensamento.
Jennifer traz nesta obra não somente suas vivências pessoais, mas também vários outros testemunhos, colhidos junto àqueles que experimentaram de várias formas o mesmo poder divino em suas existências e, assim, sofreram uma profunda metamorfose. Cada capítulo traz uma narrativa arrebatadora, capaz de provocar marcante influência no íntimo de seus leitores.
As pessoas que narram suas histórias provêm de toda classe e status social; mas elas compartilham algo essencial: a fé racional na existência de Deus. Um relato chama a atenção, o de Cindy e Marty. Eles se apaixonam quando ainda são muito novos. Aos 19 anos ela descobre que tem um câncer no cólon, o qual é posteriormente extraído. Ela passa por todo o processo de quimioterapia e todos acreditam que ela está livre da doença.
Cindy resgata sua rotina, mas após algum tempo sente dores intensas e, após exames, percebe que o câncer se disseminou por todo o organismo. Marty sempre a visitava após o trabalho. Certo dia, porém, pela manhã, ele desperta assustado e tem a sensação de um tremor no coração, como se algo o cruzasse de ponta a ponta. Ao dirigir o olhar para a janela o jovem presencia um belo nascimento do Sol.
Alguns instantes mais tarde ele recebe, por meio de um telefonema do sogro, a notícia da morte de Cindy, e conclui que acordou com a passagem da alma da jovem por seu coração, quando ela ia em direção ao céu.
O livro ratifica, através destes relatos tocantes, a interferência do poder divino na existência da humanidade. Trata-se, certamente, de uma obra memorável; ela permite ao leitor ter finalmente a certeza de que nunca está só e de que há um sentido maior nas sua existência: admitir a onipresença do Criador, sua presença em todas as partes.
Jennifer Skiff é jornalista investigativa, correspondente e produtora da CNN. Já conquistou vários prêmios. Aos trinta e poucos anos ela foi vítima de um câncer aterrorizante, e esta experiência a persuadiu de que um ser divino estava agindo em sua vida. Sua percepção jornalística se aprimorou, e a autora começou a investigar se outras pessoas tinham passado por vivências parecidas. O produto de suas pesquisas é este livro, um apanhado de depoimentos pessoais sobre encontros miraculosos com o Criador.
Editora Pensamento, 2011
Autor: Jennifer Skiff

Origem: Nacional

288 Páginas

Preço: R$ 32,90

Capa: Brochura

Formato: Médio



sábado, 14 de janeiro de 2012

"Uma Estranha Simetria" (Audrey Niffenegger)

Oi Pessoal! Que saudades! Como perceberam, tirei um tempinho de férias para resolver outras questões. Mas estou de volta, com todo o gás rs rs rs! E vou aproveitar para falar sobre um livro bem peculiar, Uma Estranha Simetria. Esta obra realmente bagunçou minha cabeça; ainda hoje, algum tempo depois da leitura, não tenho uma opinião completamente formada sobre ele no todo, embora o final tenha me cativado de verdade. Quero muito saber a opinião de vocês, se ou quando tiverem lido este livro.
Neste livro a ordem natural das coisas é alterada, barreiras invisíveis são transpostas e uma sensação de estranhamento vai lentamente tomando conta da narrativa e do leitor. Os personagens brincam com o destino e manipulam, cada um a seu modo, os rumos da existência, como se fossem deuses.
Edie e Elspeth compõem a primeira geração de gêmeas da família Noblin. A vida de ambas é moldada por uma educação rigorosa e conservadora, especialmente na linhagem paterna. Tentando fugir deste contexto opressivo, elas criam um universo próprio, no qual é possível se rebelar, pregar peças nas pessoas e passar uma pela outra diante dos colegas.
As escolhas e atitudes das irmãs determinam o futuro de cada uma e os descaminhos desta história, assim como explicam, já na segunda metade da obra, o porquê do súbito distanciamento entre duas criaturas tão ligadas entre si que, às vezes, era impossível saber onde começava uma e terminava a outra.
(...) Robert já sabia que a vida familiar dela tinha sido infeliz: não havia ali grandes surpresas, só uma tristeza agourenta que se misturava com coisas normais de menina, jogos, a peça da escola e coisas do gênero. (...)
Eu te contei muitas histórias sobre Elspeth e eu, uma fingindo ser a outra. Mas você nunca nos viu juntas - éramos muito parecidas, muito iguais. E nos conhecíamos muito profundamente. Quando éramos jovens, tínhamos dificuldade de ver onde começava uma e terminava a outra.
Suas decisões vão afetar também o destino da segunda geração de gêmeas, Valentina e Julia, filhas de Edie e Jack, o provável pivô da separação de sua esposa e da cunhada. Vinte e um anos depois, sem que as irmãs voltem a se ver, separadas por um oceano, pois uma permanece em Londres e a outra se tornou americana, residindo agora em Chicago, um trágico evento traz o passado de volta.
Elspeth, na fase terminal de uma grave leucemia, redige um testamento no qual deixa para as sobrinhas o apartamento no qual morava, com toda a mobília e seus objetos de estimação, inclusive a cama em que dormia com a irmã durante a infância. De sua janela é possível admirar a paisagem majestosa do cemitério de Highgate, em Londres.
Valentina e Julia nunca estiveram em Londres, e jamais deixaram os Estados Unidos. Elas sempre viveram ao lado dos pais em um subúrbio de Chicago. Uma profunda ligação as acompanha desde o útero materno. Enquanto a primeira é frágil, delicada, dependente e insegura, a outra é independente, forte, determinada, corajosa e autoritária.
(...) elas pareciam estranhas em qualquer lugar. (...) O que tornava as gêmeas tão peculiares era difícil de definir. As pessoas ficavam pouco à vontade quando as viam juntas, sem saber exatamente a razão. As gêmeas não eram simplesmente idênticas: eram imagens espelhadas. Esse espelhamento não se limitava à aparência, mas envolvia cada célula de seus corpos. (...) Enquanto os órgãos de Julia se distribuíam da forma convencional, os de Valentina estavam invertidos.
Julia domina Valentina e acredita ter sobre ela um direito de posse maior que o da própria mãe. De seu ponto de vista, a irmã morreria se ela não a protegesse e determinasse seu futuro. Para a jovem, é impossível realizar qualquer coisa sem a companhia de sua gêmea.
Por esta razão, ambas ainda são virgens, apesar de já estarem completando vinte e um anos, e ainda não definiram suas escolhas profissionais, pois para Julia elas têm que seguir a mesma carreira, e até então não foi possível encontrar algo em comum entre as duas nesta esfera. Valentina adora moda e a irmã ainda não sabe o que quer para sua vida.
Julia se empolga com a ideia de viver em Londres, enquanto Valentina sente um desejo irresistível de permanecer em sua terra natal. Elspeth, por sua vez, determina que as gêmeas só tenham a propriedade do apartamento após viverem aí durante um ano, e durante este período os pais das jovens não poderão entrar em sua antiga residência. Um estranho segredo do passado paira sobre a família, e as jovens, que até então desconheciam a existência de uma tia, gêmea de sua mãe, estão determinadas a descobrir o que provocou a ruptura entre ambas.
O que elas não sabem é que o espírito de Elspeth permanece prisioneiro em seu apartamento, e fará de tudo para entrar em contato com elas e com seu grande amor, Robert. Por ironia do destino, Valentina e o ex-amante de sua tia acabam se envolvendo, apesar da diferença de idade.
A princípio, ela simplesmente vagara pelo apartamento. Tinha pouca energia e passava muito tempo contemplando seus antigos bens. Cochilava e acordava de novo horas, talvez dias depois - não sabia dizer e não importava. Ela não tinha forma e passava tardes inteiras rolando pelo chão em busca de um pedacinho de luz do sol, deixando que ele aquecesse todas as partículas de si como se ela fosse feita de ar, para que ela subisse e descesse, aquecida e refrescada.
Este relacionamento provoca uma séria crise de ciúmes em Julia, que vê em Robert alguém prestes a separá-la de sua irmã, e em Elspeth, que, apesar de estar morta, não consegue se desprender do sentimento que nutre por seu antigo companheiro. Sentindo-se só, Julia se aproxima de Martin, o vizinho do andar de cima, vítima de um Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) que o mantém preso em seu apartamento e provoca a partida de sua esposa, Marijke.
Estas aproximações e distâncias vão culminar em um inusitado triângulo amoroso envolvendo vivos, mortos, felinos e eventos do passado que voltam para assombrar o presente e, assim, determinam um desfecho surpreendente e inesperado. Esta complexa trama enfoca questões simétricas de várias espécies, desde as cultivadas por Martin no auge de suas crises, até as simetrias físicas e emocionais das gêmeas – os órgãos de Valentina ocupam posições inversas em relação aos de Julia; até mesmo seu coração está no lado oposto do peito.
Muitos dos rituais de lavagem e cuidados de Martin eram organizados em torno da noção de simetria: uma passada do barbeador do lado esquerdo exigia outra, idêntica, do direito. (...) Completude: quando fazia tudo certo, Martin obtinha a satisfação (fugaz) de uma série de movimentos, tarefas, números, lavagens, pesamentos, não pensamentos. Mas não era bom sentir-se satisfeito demais. A ideia não era fazer algo para se agradar, mas para evitar um desastre.
As experiências e vivências da gêmea no apartamento de Elspeth, especialmente as que se referem à morte, não somente pela presença ostensiva do Cemitério, mas também por seus questionamentos e desejos interiores e pela convivência com o espírito da tia, transformarão radicalmente a vida de ambas; nenhuma delas será mais a mesma após o prazo final estabelecido pelo testamento.
A autora cria uma história eletrizante, repleta de surpresas, impossível de se deixar de lado antes do final imprevisto, e na qual mais uma vez está presente a transcendência das diretrizes naturais, como em seu livro de estreia, A Mulher do Viajante no Tempo, que deu origem a uma versão cinematográfica lançada em 2009 e intitulada Te Amarei para Sempre.
Para compor esta narrativa ela realizou pesquisas exaustivas sobre o cenário que protagoniza, de certa forma, o enredo. Audrey viveu em Londres durante a etapa investigatória, e ao longo deste tempo ela atuou como guia no cemitério Highgate, o que lhe confere a autoridade necessária para discorrer sobre as histórias que envolvem esta instituição, as oficiais e as não convencionais.
(...) havia só o próprio cemitério esparramado ao luar, como uma alucinação em suaves tons de cinza, um desvario de melancolia vitoriana talhado em pedra. (...)
Ao combinarem reforma higiênica e inovação com consciência de classe, os vitorianos haviam criado o cemitério Highgate como um teatro para o luto, um cenário para o descanso eterno.
Audrey Niffenegger nasceu em South Haven, Michigan, no dia 13 de junho de 1963. Artista plástica, ela é autora também de duas obras ilustradas, The Three Incestuous Sisters e The Adventuress. Atualmente ela reside em Chicago. A escritora tem hoje um carinho especial por Highgate, e sempre que está em Londres visita o cemitério.

Editora Objetiva, 2011

Autor: Audrey Niffenegger

ISBN: 978-85-60280-79-7

Origem: Nacional

Edição: 1

359 Páginas

Preço: R$ 34,30

Capa: Brochura

Formato: Médio

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

"Você Tem que Ouvir Isso!" (Luiz Cesar Pimentel)

Pessoal, esse lançamento é de primeira, principalmente para quem cada momento da vida tem que ser movido por uma trilha sonora – como eu! Imperdível!!!

Esse depoimento da roqueira Pitty indica o alto nível deste livro:
“Perdi o prazo para mandar minha lista. Agora estou aqui me debatendo de remorso porque, conhecendo o Luiz como conheço, tenho certeza de que ele pegou essa ideia naturalmente bacana de um Top 20 de músicas para os pequeninos e transformou num livro divertido e gostoso de ler.
Este livro deveria estar na prateleira de "Autoajuda" ou de "Utilidade Pública". Melhor: de "Educação Infantil para Pais Prevenidos". Mas não. É somente um livro cool e divertido, despretensioso e, por isso mesmo, rico. Ainda bem. E eu aqui me remoendo porque perdi o prazo de mandar minha lista. Droga!”
Por Pitty, cantora
Pensem bem. Imagine se você tivesse a oportunidade de pedir aos seus famosos prediletos que elaborassem uma lista com as músicas mais significativas e que deixaram as mais fortes impressões em sua existência!
Foi o sonho que o autor Luiz Cesar Pimentel tornou realidade. Ele obteve dos músicos do Skank, Capital Inicial, Pitty, Restart, NX Zero, Pato Fu, Dead Fish, Ira!, Gloria, Sepultura, Krisiun, César Menotti & Fabiano, Cachorro Grande, de intérpretes como Sérgio Marone, dos apresentadores Rodrigo Faro e Cris Arcangeli, do estilista Ronaldo Fraga e de mais 70 personalidades, suas listas com a trilha sonora pessoal de cada um deles.
Tudo isso pode ser encontrado na obra “Você Tem que Ouvir Isso!”, um lançamento da Editora Seoman. Ela traz quase duas mil músicas indicadas por especialistas neste tema em todo o Brasil. Aliás, até mesmo do exterior, pois alguns estrangeiros também elaboraram suas listas. Ademais, esta publicação oferece como brinde, ao leitor, diversas listas não preenchidas para que ele proponha aos seus amigos a criação de suas próprias dicas musicais.
Não deixem passar esta oportunidade. É uma leitura obrigatória!
Luiz Cesar Pimentel atua no portal R7 como jornalista, escritor e chefe de redação. Ele está imerso na carreira jornalística desde 1992, e traz em seu currículo o livro “Sem Pauta – Reportagens, Histórias e Fotos de um Jornalista pelo Mundo”, igualmente lançado pela Editora Seoman em 2005. Trata-se de uma compilação de coberturas realizadas em 18 países enquanto trabalhava como correspondente internacional.
Ele também passou por veículos como Folha de São Paulo, Editora Abril, Trip, os portais Starmedia, Zip.net, UOL e Virgula, além de manter uma coluna e uma estreita colaboração com Caros Amigos, Carta Capital, Playboy, Rolling Stone, Sexy, Jornal da Tarde, Elle e Superinteressante.

Editora Seoman, 2011
Autor: Luiz Cesar Pimentel

ISBN: 978-85-98903-29-3

Origem: Nacional
Edição: 1

128 Páginas

Preço: R$ 24,90

Capa: Brochura

Formato: Médio

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"Os Caminhos do Sertão" (João Guimarães Rosa)

Oi Pessoal. Fico realmente emocionada e entusiasmada ao saber do novo lançamento da Editora Nova Fronteira: Os Caminhos do Sertão, de Guimarães Rosa. É uma edição histórica e limitada deste clássico inesquecível - para mim o melhor da literatura universal: Grande Sertão:Veredas. Claro que sou suspeita para julgar, pois é meu autor preferido e minha tese de mestrado foi justamente sobre ele. Nem sei como consegui esta proeza, pois nem todas as palavras do mundo podem dar conta deste escritor fantástico!

"...o real não está nem na saída, nem na chegada:
ele se dispõe para a gente é no meio da travessia."

João Guimarães Rosa



Esta edição da obra-prima de Guimarães Rosa traz um novo projeto gráfico e desenhos inéditos de Paulo Mendes da Rocha. A caixa é constituída por três livros:

Grande sertão: veredas – Edição exclusiva, a capa é nada mais, nada menos que a primeira página do fac-símile da obra, em que Guimarães define o título, riscando de próprio punho a sua primeira proposta: Veredas mortas. ela é acompanhada por um texto que elucida o trabalho fonético da escrita rosiana e  revela como se estabelece o acordo ortográfico em João Guimarães Rosa. O livro também apresenta algumas capas nacionais e internacionais do romance.

A boiada – O fac-símile, impresso em cores, o original datilografado e anotado de Rosa registrando a viagem pelo sertão. Um verdadeiro registro genealógico da criação de Grande Sertão:Veredas. O volume traz a contribuição de Sandra Vasconcelos, professora de literatura brasileira do IEB-USP, e de Mônica Meyer, professora e bióloga da UFMG.

Livro de depoimentos
– Com texto de apresentação da Nova Fronteira e da Saraiva, traz depoimentos inéditos em formato literário de nomes como Antonio Candido e Haroldo de Campos sobre o Grande sertão: veredas.

 

Abaixo eu reproduzo a apresentação da Nova Fronteira. Em breve estarei postando aqui texto de minha autoria sobre Guimarães Rosa e sua obra. E logo espero estar reproduzindo neste espaço minha resenha sobre esta clássica edição.



Editar João Guimarães Rosa é um privilégio raro, como bem sabem todos os que se dedicam aos livros — de autores e editores às pessoas que divulgam, distribuem, comercializam, vendem e leem as obras desse autor. É um grande privilégio tomado por surpresas, contentamentos e desafios, como o sertão descoberto (e, por favor, atentem para a palavra) por Guimarães Rosa.

Autor de léxico próprio e um dos brasileiros mais editados e estudados fora do seu país, João Guimarães Rosa chegou a ser cogitado para concorrer ao Prêmio Nobel de Literatura no ano de sua morte. Sua obra indiscutivelmente sem precedentes em nosso contexto literário conjuga, na justa medida, o local e o universal, o olhar do médico e diplomata que afirmou que o bom mesmo era ser como o vaqueiro Manoel Nardy, o Manuelzão das suas estórias.

Difícil é, portanto, falar do autor e da sua obra com o desprendimento que ele próprio destinou a ela, já que não se embrenhou pelo sertão à procura da literatura. Suas viagens sempre visaram ao encontro do homem, dos problemas e questões inerentes à condição humana. Decidimos, então, nesta edição exclusiva que lança o inédito A boiada deixar, mais que nunca, que o autor dê a primeira palavra. Não antecipamos o texto das cadernetas, organizado e editado pelo próprio Guimarães Rosa, com nenhum grande estudo. Ele vem em estado puro, com as marcas do tempo ao lado das marcas do autor, suas anotações marginais e rasuras, suas ob-sessivas pesquisas — um canteiro de obras a partir do qual se erigiram verdadeiros monumentos literários.

Ao final da reprodução em fac-símile de A boiada 1 e A boiada 2, contamos com a beleza e pertinência dos textos de duas estudiosas da obra do autor mineiro, as professoras Sandra Vasconcelos e Mônica Meyer, que situam historicamente o contexto dessa viagem em que as cadernetas foram escritas e analisam seu conteúdo com a agudeza de quem conhece a fundo a obra completa do autor, sua biografia, seus estudos e o arquivo com seus inéditos. Encerrando o volume, trazemos a reportagem “Com o vaqueiro Guimarães Rosa — um escritor entre seus personagens”, feita na chegada dessa travessia pelo sertão mineiro e publicada pela revista O Cruzeiro, dois meses depois, com fotos dos vaqueiros, da boiada e de Guimarães Rosa, o “vaqueiro-amador”, como ele próprio se definiu.



O percurso pelos caminhos do sertão de João Guimarães Rosa não poderia deixar de incluir a obra mais conhecida do autor, pois em sua escrita se percebe, em cada página, a experiência registrada n’A boiada. Essa vigésima edição do Grande sertão: veredas vem ainda acompanhada de outro percurso: o de sua publicação internacional, materializado em capas de diversos países, tais como Itália, Alemanha, França, Holanda, Dinamarca, Espanha, Noruega, Argentina, entre outros.

Nos dois títulos do autor seguimos a sentença “mire e veja” e convidamos o leitor a fazer o mesmo. “Mire e veja”, sempre que possível em boa companhia. Para tanto, apresentamos, em separata, uma travessia pela crítica que, desenraizada do papel e enraizada nas memórias, ganhou corpo nos Pignatari e Haroldo de Campos, gravados para o documentário Os nomes do Rosa, produzido por Tereza Gonzalez e Vânia Catani, com roteiro de Ana Luiza Martins Costa, Claufe Rodrigues e Pedro Bial, e direção geral de Pedro Bial. Outros depoimentos se juntaram a esses primeiros quando Bia Lessa concebeu uma instalação sobre o Grande sertão: veredas para a inauguração do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e convocou o arquiteto Paulo Mendes da Rocha e o escritor Sérgio Sant’Anna para compor o diálogo com essa obra monumental.

A todos esses famosos espectadores (miradores) do autor e de seus textos o nosso agradecimento emocionado (estendido aos titulares dos direitos das obras de alguns dos nossos depoentes).
Todo o nosso trabalho foi luxuosamente acompanhado pelas ilustrações de Paulo Mendes da Rocha, que adornou e acolheu esse projeto com seu traçado limpo e contundente como as paisagens do sertão rosiano. Desconfiamos que se Paulo Mendes da Rocha tivesse nascido em Cordisburgo, provavelmente teria saído pelo sertão, a fim de acolher uns tantos caminhos e veredas em sua arquitetura.

A importância de encontrar o leitor é o que nos move em busca de renovados caminhos. Nessa comunhão de propósitos e ideais, a Editora Nova Fronteira teve a honra de desenvolver essa edição exclusiva e limitada com a Livraria Saraiva, que tem somado ao seu crescimento pelo Brasil o objetivo de apresentar grandes obras a preços acessíveis.

Editora Nova Fronteira


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

"O Enigma do Oito" (Katherine Neville)

Pessoal, o post de hoje é sobre um livro apaixonante, um dos melhores que já li - fiquei pensando nele por um bom tempo, semanas depois do fim da leitura. Leiam, vocês não vão se arrepender. É uma daquelas histórias que nos trazem um incrível desenvolvimento cultural e espiritual. Vale super a pena!


Jamais em meu percurso como leitora encontrei uma obra tão complexa, densa, surpreendente e fascinante. A autora propõe ao leitor o desafio de percorrer suas 678 páginas e, simultaneamente, ajudar Cat e Mireille, as protagonistas das diferentes eras enfocadas nesta trama, a desvendar a fórmula oculta no Xadrez de Montglane.
Da época de Carlos Magno até os dias atuais, este Jogo seduz mentes, corrompe sentimentos e ameaça a alma humana. Esta história tem início em 1790, no ápice da Revolução Francesa. Ao longo de séculos o mítico xadrez presenteado pelos mouros ao rei dos francos e primeiro Imperador do Sacro Império Romano do Ocidente, Carlos Magno, foi preservado no interior das paredes da Abadia de Montglane.
Quando o segredo é ameaçado, a abadessa do mosteiro, Helene, desenterra o tabuleiro e as peças, entrega a algumas das freiras a proteção de pelo menos um destes o bjetos, e toma sob sua guarda o tabuleiro e a capa de veludo que o abriga. Antes de partir para a Rússia, ao encontro de sua amiga de infância, Catarina II, agora poderosa czarina russa,ela confia a duas noviças muito jovens, Valentine e Mireille, uma missão especial.
A capa era de veludo, de um azul profundo, e ricamente bordada com fios de ouro e pedras preciosas, uma aparente reprodução dos símbolos do zodíaco. No centro, duas figuras semelhantes a serpentes entrelaçavam-se de modo a formar um 8.
 (...) a abadessa mandou que as freiras se preparassem para viajar. Avisou que daria a cada uma, em conversa reservada, as instruções a respeito de seu destino, de modo que nenhuma delas ficaria sabendo a localização das demais.
(...) Quando chegou a vez de Valentina e Mireille (...)
- Imagino - prosseguiu a abadessa - (...) Muitas de nós correremos perigo (...) não será possível apagar completamente nossos rastros. Algumas freiras poderão vir a  ser encontradas, e terão de fugir. Por isso, selecionei oito de nós. Cada uma dessas oito freiras não só levará uma peça do Xadrez como também servirá de ponto de apoio. Quem estiver fugindo poderá deixar com ela sua peça ou pelo menos instruções para encontrá-la. Você vai ser uma das oito, Valentine.
As jovens, primas e amigas inseparáveis, devem partir para Paris e aí permanecer sob a tutela de Jacques Louis David, célebre pintor, integrante da Assembleia Francesa e padrinho de Valentine. Cabe a elas não só esconder algumas das peças, mas também atuar como suportes para outras freiras que sejam ameaçadas e necessitem fugir, deixando com ambas a defesa de seus próprios componentes do Xadrez.
No auge do movimento conhecido como o Terror, uma trágica e triste página da história da França, Valentine é presa e interrogada por Marat, o cruel e sádico revolucionário francês. A partir de então tem início uma corrida desenfreada pela posse das peças e pelo comando do eterno Jogo. Envolvidas quase sem querer nesta trama letal, as primas são obrigadas a colocar em risco a própria vida para impedir que o Xadrez caia nas mãos erradas.
Aquilo era mais perigoso do que a malta que cercava a carruagem, ela sabia bem. Era um bando de loucos. Até os outros membros da Convenção temiam a gente da Comuna. Delegados escolhidos nas ruas da cidade costumavam prender, julgar e executar os membros da nobreza com tal rapidez que negavam, nos próprios gestos, o conceito de liberdade que pregavam.
Quase duzentos anos depois, em 1972, a norte-americana Cat Velis, apesar de ter apenas vinte e três anos, é especialista em processamento de dados na cidade de Nova Iorque. Primeira mulher a atuar como executiva em uma famosa empresa de consultoria contábil, ela enfrenta preconceitos e luta contra os atos corruptos de seus patrões. Em uma destas ocasiões ela desafia um dos sócios e é enviada para realizar um trabalho de assessoria para os membros da OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo – em Argel, capital da Argélia.
Antes mesmo de partir para o continente africano, porém, ela percebe que está envolvida em um Jogo perigoso. Advertida por uma estranha vidente dos riscos que corre, ela vai descobrir que as linhas de sua mão, ao formarem um inusitado oito, enlaçam seu destino ao do próprio Xadrez de Montglane, como há séculos atrás determinou as vidas de Valentine e Mireille.
A vidente ignorou-o e inclinou-se ainda mais para mim.
- Vim aqui para te trazer um aviso - sussurrou. - Onde quer que vás, nunca deixes de olhar por cima dos ombros, de vigiar as costas. Não confies em ninguém. Suspeites de todos. Pois as linhas de tua mão revelam... que é a mão escolhida.
- Escolhida por quem?
(...) Em um sussurro, falou como alguém que se esforça para lembrar algo antigo, talvez um poema lido muito tempo antes:
- Justamente como no tabuleiro se misturam as do xadrez, até como se tudo soubessem, as linhas desta mão, discretas, mostram, noutro nível, a chave das verdadeiras finais. O Jogo, metáfora da vida, real visão... Última lembrança esta, tantas vezes entendida tarde demais: batalha infinda! Recorda-te: no quarto dia do quarto mês, evitarás atacar. Eterna luta entre pretas e brancas, quase iguais!Continua a tua busca por trinta e três e três. Vai sempre mais fechado estar o secreto portão.
Mesmo sem saber jogar xadrez, Cat se une a Lilly, uma exímia jogadora, na tentativa de desvendar as estranhas mortes, perseguições, charadas e enigmas que passam a fazer parte de sua rotina. Ela conta também com a ajuda do jogador russo Solarin, de seus amigos Nim, Mordecai e Harry, e de outros aliados improváveis.
De Paris a Londres, da Córsega a Nova Iorque, de Argel ao Deserto do Saara, as protagonistas desta narrativa eletrizante perseguem o segredo ancestral que durante milênios foi reservado apenas aos iniciados, proibido de ser escrito e codificado secretamente pelos mouros no Xadrez de Montglane.
Richelieu acreditava que os mouros, ao invadir o território, tivessem descoberto o terrível segredo, guardado durante séculos pelos celtas e, depois, pelos bascos. Os conquistadores mouros teriam então transcrito o que aprenderam, num código que inventaram. Na verdade, eles gravaram o segredo, no tal código, nas peças de ouro e prata do Xadrez de Montglane. Quando lhes pareceu evidente que perderiam o domínio da Península Ibérica, enviaram o Xadrez para Carlos Magno, por quem nutriam grande admiração. Viam-no como o mais poderoso monarca da história e julgaram-no o único capaz de proteger o segredo.

A intrincada fórmula alquímica já intrigou cientistas do porte de Isaac Newton, Paracelso, Pitágoras e Fourier, filósofos como Voltaire e Rousseau, e foi ambicionada por personalidades como Marat, Robespierre, Napoleão, Benjamin Franklin e a czarina Catarina II.
Tudo neste código secreto e na trama remete ao número oito: a inscrição na capa de veludo azul na qual foi transportado o tabuleiro de Xadrez e suas peças; as oito grandes empresas de petróleo do mundo; o símbolo da pessoa que terá como missão reunir novamente o Jogo e impedir que ele seja utilizado para dominar a Humanidade; o número das freiras encarregadas de proteger as peças; as oitavas musicais; a Ordem do Oito, ou seja, daqueles que ouvem a música das esferas; a Lei das Oitavas, entre outras simbologias presentes na história do Homem.
A autora nos conduz da História à Filosofia, da Matemática à Música, da Alquimia à Química Moderna, da Física à Astronomia, da Ciência à Magia, pelos segredos do Xadrez e culturas labirínticas, pelo universo de deuses e deusas antigos, entretecendo com raro talento todos os dados e personagens apresentados no enredo.
Meu livro saiu vários anos mais tarde, (...) Nele, apresentei a teoria de que os Peões são a alma do xadrez. Na verdade, apenas demonstrei que os Peões não devem ter por única serventia o sacrifício, pois é possível usá-los com objetivos estratégicos e posicionais contra o adversário. O livro causou uma revolução no xadrez.
Chamou até a atenção do matemático alemão Euler. Ele já havia lido a meu respeito, uma referência a minha capacidade de jogar de olhos vendados, na Enciclopédie organizada por Diderot, e acabou convencendo Frederico a me convidar para uma visita à corte. (o compositor Philidor)
Neste tabuleiro confrontam-se incessantemente as peças brancas e as pretas; em uma inversão da imagem tradicional, são as primeiras que desejam se apossar do Jogo, enquanto as negras lutam para ocultar seu potencial destrutivo, pois acreditam que o ser humano ainda não está pronto para se apropriar de seu alto poder energético.
Cabe ao leitor descobrir quem são os reis e rainhas brancos e pretos, e que papel cada personagem representa neste tabuleiro. Valentine é a garota inocente, simples, espontânea, praticamente sem malícia, uma criança em sua pureza de coração. Já Mireille é mais séria, introvertida, determinada, e tem a consciência, a princípio quase inconsciente, de estar comprometida com uma missão que pode determinar os rumos da História.
Lilly é um frescor na narrativa tensa que resgata os terríveis eventos passados; ela é engraçada, maliciosa, irreverente. Quanto à Cat Velis, ela herda, de alguma forma, o peso da tarefa parcialmente cumprida por sua antecessora, talvez por isso mesmo tenha a mesma seriedade e coragem, pontuada por uma sutil ironia.
Com certeza as personagens dos tempos presentes, que atravessam a década de 70 no início da crise petrolífera que se abateu sobre o mundo em 1973, espelham as protagonistas que vivenciaram os trágicos momentos da Revolução Francesa e o Império Napoleônico.
Katherine nos traz uma nova visão dos fatos históricos, agora sob o ponto de vista da luta por um poder inimaginável, apocalíptico, o qual se oculta na fórmula impressa no Xadrez de Montglane, nos símbolos incrustados no tabuleiro, em suas peças e na capa que o recobre.
A música tem o poder de criar um universo ou de destruir uma civilização. Se não acredita, sugiro que leia a Bíblia. (...) Quem compreende a arquitetura da música compreenderá por certo o poder do Xadrez de Montglane. Ambos são a mesma coisa.
(...) acredito que é esse poder, o poder da música da linguagem, da matemática da música, do segredo do Verbo com que Deus criou o Universo e destruiu o império da Babilônia... É esse poder, acredito, o segredo oculto no Xadrez de Montglane.
Cada capítulo é precedido por epígrafes sobre o Xadrez ou temas afins abordados nos tópicos correspondentes. No passado a narrativa flui na terceira pessoa, focada em vários pontos de vista, enquanto no presente a trama é tecida na primeira pessoa, ou seja, sob a ótica de Cat Velis. A leitura é de tirar o fôlego e o final é surpreendente e emocionante, além de nos preparar para uma nova sequência, já publicada no Brasil e intitulada O Fogo.

Katherine Neville já escreveu vários livros, todos vertidos para 40 idiomas e publicados em pelo menos 80 países. Ela já foi vice-presidente do Bank of America e trabalhou como consultora internacional de sistemas informáticos. Além disso, ela também pinta e é fotógrafa. Hoje a escritora reside na Virginia, nos Estados Unidos.

Editora Rocco, 2010

Autora: Katherine Neville

ISBN: 9788532524317

Origem: Nacional

Edição: 1

678 Páginas

Preço: R$ 49,50

Capa: Brochura

Formato: Médio

Volume: 1


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

"Amanhecer" (Stephenie Meyer)

Oi Galera! Contagem regressiva para a estreia da primeira parte do filme Amanhecer, não é mesmo? Pensando nisso, decidi postar aqui a resenha sobre o último livro da sére Crepúsculo. Só para refrescar um pouco a memória!!!!!!! Como se fosse possível esquecer, não é mesmo?



Ler Amanhecer é como mergulhar em um universo de mitos que nos envolve de tal maneira que, subitamente, ele se transforma na única realidade possível. Nesta sequência final da série Crepúsculo, a trama se torna ainda mais eletrizante, as hesitações se definem, escolhas são realizadas e o leitor finalmente saberá se Bella, a protagonista da saga, optará por continuar humana ou se converterá definitivamente em vampira.

No final de Eclipse - volume anterior -, Bella ainda está dividida entre dois amores distintos, ambos do circuito mítico – o vampiro Edward e o lobisomem Jacob. Ela ainda vacila, também, entre sua condição humana e o seu futuro como vampira, pesando em sua balança interior o que conquistará e o que perderá com suas escolhas.

Pode-se correr de alguém de quem se tenha medo; pode-se tentar lutar com alguém que se odeie. Todas as minhas reações eram preparadas para aqueles tipos de assassinos — os monstros, os inimigos. Mas quando se ama aquele que vai matá-la, não lhe restam alternativas. Como se pode correr, como se pode lutar, quando essa atitude magoaria o amado? Se sua vida é tudo o que você tem para dar ao amado, como não dá-la? Quando ele é alguém que você ama de verdade.

Em Amanhecer uma nova jornada a aguarda, um casamento que a apavora, seu distanciamento da família, especialmente do pai, Charlie, e a imprevisível lua-de-mel, da qual ela não sabe o que realmente esperar. Tudo é mistério e incógnitas diante de si. Por outro lado, Jacob, seu melhor amigo, igualmente aspirante ao seu coração, está desaparecido, transfigurado em forma de lobo, fugindo desesperadamente diante da possibilidade de perder seu grande amor.


Bella se refugia em suas fantasias, imaginando como será seu mundo ao lado de Edward, tentando conceber a si mesma como vampira, buscando a autoconfiança que não a ampara em sua identidade humana. Ela segue adiante e se torna a Senhora Cullen, cheia de expectativas e esperanças, embora sua felicidade ainda esteja incompleta, pois sabe o quanto Jacob está infeliz.

Não importava quantas vezes eu tivesse dirigido pela conhecida estrada para casa, eu ainda não conseguia fazer com que os cartazes desbotados pela chuva desaparecessem ao fundo. Cada um deles, colados nos postes telefônicos e em placas de rua, era como um novo tapa na cara. Um merecido tapa na cara. Minha mente foi levada de volta ao pensamento que interrompi tão rapidamente. Eu não conseguia evitar aquela estrada. Não com as imagens de meu mecânico preferido voando por mim a intervalos regulares.
Meu melhor amigo. Meu Jacob.
Você viu esse garoto? Os cartazes não foram idéia do pai de Jacob. Foram do meu pai, Charlie, que os imprimiu e espalhou por toda a cidade.

A partir desta escolha de Bella, tudo pode acontecer, até mesmo o que o leitor jamais poderia esperar. E quando tudo parece se encaminhar para a resolução dos sentimentos envolvidos neste triângulo amoroso, e as feridas parecem começar a cicatrizar, a trama toma novamente um rumo inesperado, que pode não só mudar o mundo dos vampiros e dos lobisomens, mas até mesmo destruí-los.

Stephenie Meyer inova neste romance ao deixar de lado o ponto de vista único, protagonizado por Bella, e ao criar, a exemplo do que já tentara em Eclipse, uma visão multíplice, ao incluir a voz de Jacob na narrativa. Esta é completamente subvertida ao assumir o ângulo do outro vértice do triângulo, ao revelar a forma como ele vê os outros personagens e o próprio enredo. É possível que o leitor até se esqueça de que, até então, a trama era conduzida pelas lembranças de Bella.

Talvez não houvesse história nenhuma. Talvez Charlie ligasse para perguntar ao meu pai se ele sabia de alguma coisa sobre o Dr. Cullen, que certo dia não apareceu para trabalhar. A casa abandonada. Nenhuma resposta em qualquer dos telefones dos Cullen. O mistério narrado em um noticiário de segunda classe, a suspeita de um golpe...
Talvez a grande casa branca fosse completamente queimada, com todos presos lá dentro.
(...) Conhecia Edward bem o bastante para saber que, se eu matasse alguém do bando dele, teria minha chance com ele também. Ele viria para se vingar. (...) Seríamos só ele e eu. E que o melhor vencesse. (Jacob)

Sob este ponto de vista, é possível perceber que as escolhas de Bella não transformaram definitivamente apenas o universo dos Cullen, mas também, e principalmente, o clã dos lobos. Com o desenrolar dos acontecimentos, o líder deles, Sam, vê sua autoridade, adotada por falta de um alfa legítimo, ser contestada por Jacob, que está naturalmente destinado a ocupar esta posição. Depois deste passo decisivo, nada mais será como antes. O clã está inevitavelmente fissurado.



Neste volume, todos os mistérios e tramas habilmente dispostos ao longo da saga são finalmente decifrados e solucionados. Mas, até chegar a esta conclusão assombrosa, o leitor terá que se munir de nervos de aço, pois a história se desenrola de tal forma, que ele não deve estranhar se não conseguir respirar, a não ser depois que alcançar a margem extrema da narrativa. Ou seja, quando finalmente amanhecer.

Editora Intrínseca, 2009

Autora: Stephenie Meyer

ISBN: 9788598078465

Origem: Nacional

Edição: 1

567 Páginas

Preço: R$ 39,90

Capa: Brochura

Formato: Médio

Volume: 4