segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"Os Caminhos do Sertão" (João Guimarães Rosa)

Oi Pessoal. Fico realmente emocionada e entusiasmada ao saber do novo lançamento da Editora Nova Fronteira: Os Caminhos do Sertão, de Guimarães Rosa. É uma edição histórica e limitada deste clássico inesquecível - para mim o melhor da literatura universal: Grande Sertão:Veredas. Claro que sou suspeita para julgar, pois é meu autor preferido e minha tese de mestrado foi justamente sobre ele. Nem sei como consegui esta proeza, pois nem todas as palavras do mundo podem dar conta deste escritor fantástico!

"...o real não está nem na saída, nem na chegada:
ele se dispõe para a gente é no meio da travessia."

João Guimarães Rosa



Esta edição da obra-prima de Guimarães Rosa traz um novo projeto gráfico e desenhos inéditos de Paulo Mendes da Rocha. A caixa é constituída por três livros:

Grande sertão: veredas – Edição exclusiva, a capa é nada mais, nada menos que a primeira página do fac-símile da obra, em que Guimarães define o título, riscando de próprio punho a sua primeira proposta: Veredas mortas. ela é acompanhada por um texto que elucida o trabalho fonético da escrita rosiana e  revela como se estabelece o acordo ortográfico em João Guimarães Rosa. O livro também apresenta algumas capas nacionais e internacionais do romance.

A boiada – O fac-símile, impresso em cores, o original datilografado e anotado de Rosa registrando a viagem pelo sertão. Um verdadeiro registro genealógico da criação de Grande Sertão:Veredas. O volume traz a contribuição de Sandra Vasconcelos, professora de literatura brasileira do IEB-USP, e de Mônica Meyer, professora e bióloga da UFMG.

Livro de depoimentos
– Com texto de apresentação da Nova Fronteira e da Saraiva, traz depoimentos inéditos em formato literário de nomes como Antonio Candido e Haroldo de Campos sobre o Grande sertão: veredas.

 

Abaixo eu reproduzo a apresentação da Nova Fronteira. Em breve estarei postando aqui texto de minha autoria sobre Guimarães Rosa e sua obra. E logo espero estar reproduzindo neste espaço minha resenha sobre esta clássica edição.



Editar João Guimarães Rosa é um privilégio raro, como bem sabem todos os que se dedicam aos livros — de autores e editores às pessoas que divulgam, distribuem, comercializam, vendem e leem as obras desse autor. É um grande privilégio tomado por surpresas, contentamentos e desafios, como o sertão descoberto (e, por favor, atentem para a palavra) por Guimarães Rosa.

Autor de léxico próprio e um dos brasileiros mais editados e estudados fora do seu país, João Guimarães Rosa chegou a ser cogitado para concorrer ao Prêmio Nobel de Literatura no ano de sua morte. Sua obra indiscutivelmente sem precedentes em nosso contexto literário conjuga, na justa medida, o local e o universal, o olhar do médico e diplomata que afirmou que o bom mesmo era ser como o vaqueiro Manoel Nardy, o Manuelzão das suas estórias.

Difícil é, portanto, falar do autor e da sua obra com o desprendimento que ele próprio destinou a ela, já que não se embrenhou pelo sertão à procura da literatura. Suas viagens sempre visaram ao encontro do homem, dos problemas e questões inerentes à condição humana. Decidimos, então, nesta edição exclusiva que lança o inédito A boiada deixar, mais que nunca, que o autor dê a primeira palavra. Não antecipamos o texto das cadernetas, organizado e editado pelo próprio Guimarães Rosa, com nenhum grande estudo. Ele vem em estado puro, com as marcas do tempo ao lado das marcas do autor, suas anotações marginais e rasuras, suas ob-sessivas pesquisas — um canteiro de obras a partir do qual se erigiram verdadeiros monumentos literários.

Ao final da reprodução em fac-símile de A boiada 1 e A boiada 2, contamos com a beleza e pertinência dos textos de duas estudiosas da obra do autor mineiro, as professoras Sandra Vasconcelos e Mônica Meyer, que situam historicamente o contexto dessa viagem em que as cadernetas foram escritas e analisam seu conteúdo com a agudeza de quem conhece a fundo a obra completa do autor, sua biografia, seus estudos e o arquivo com seus inéditos. Encerrando o volume, trazemos a reportagem “Com o vaqueiro Guimarães Rosa — um escritor entre seus personagens”, feita na chegada dessa travessia pelo sertão mineiro e publicada pela revista O Cruzeiro, dois meses depois, com fotos dos vaqueiros, da boiada e de Guimarães Rosa, o “vaqueiro-amador”, como ele próprio se definiu.



O percurso pelos caminhos do sertão de João Guimarães Rosa não poderia deixar de incluir a obra mais conhecida do autor, pois em sua escrita se percebe, em cada página, a experiência registrada n’A boiada. Essa vigésima edição do Grande sertão: veredas vem ainda acompanhada de outro percurso: o de sua publicação internacional, materializado em capas de diversos países, tais como Itália, Alemanha, França, Holanda, Dinamarca, Espanha, Noruega, Argentina, entre outros.

Nos dois títulos do autor seguimos a sentença “mire e veja” e convidamos o leitor a fazer o mesmo. “Mire e veja”, sempre que possível em boa companhia. Para tanto, apresentamos, em separata, uma travessia pela crítica que, desenraizada do papel e enraizada nas memórias, ganhou corpo nos Pignatari e Haroldo de Campos, gravados para o documentário Os nomes do Rosa, produzido por Tereza Gonzalez e Vânia Catani, com roteiro de Ana Luiza Martins Costa, Claufe Rodrigues e Pedro Bial, e direção geral de Pedro Bial. Outros depoimentos se juntaram a esses primeiros quando Bia Lessa concebeu uma instalação sobre o Grande sertão: veredas para a inauguração do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e convocou o arquiteto Paulo Mendes da Rocha e o escritor Sérgio Sant’Anna para compor o diálogo com essa obra monumental.

A todos esses famosos espectadores (miradores) do autor e de seus textos o nosso agradecimento emocionado (estendido aos titulares dos direitos das obras de alguns dos nossos depoentes).
Todo o nosso trabalho foi luxuosamente acompanhado pelas ilustrações de Paulo Mendes da Rocha, que adornou e acolheu esse projeto com seu traçado limpo e contundente como as paisagens do sertão rosiano. Desconfiamos que se Paulo Mendes da Rocha tivesse nascido em Cordisburgo, provavelmente teria saído pelo sertão, a fim de acolher uns tantos caminhos e veredas em sua arquitetura.

A importância de encontrar o leitor é o que nos move em busca de renovados caminhos. Nessa comunhão de propósitos e ideais, a Editora Nova Fronteira teve a honra de desenvolver essa edição exclusiva e limitada com a Livraria Saraiva, que tem somado ao seu crescimento pelo Brasil o objetivo de apresentar grandes obras a preços acessíveis.

Editora Nova Fronteira


Um comentário:

  1. Não vejo a hora de ler um texto seu sobre essa edição especial...

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